Opera: Don Carlo (Verdi, 1886)

Esta produção da casa (Covent Garden) é assinada por Nicholas Hytner, data de 2008 e já vai na sua terceira reposiçāo. Don Carlo tem uma versão em francês e outra em italiano, em cinco actos, que pode ser vista por estes dias em Covent Garden. Verdi retem alguns elementos da grand opéra francesa, grandiosa nos meios e na duração, mas também nos temas abordados, essencialmente históricos. A ação passa-se na Espanha seiscentista, atraída pelo imperalismo (a Flandres é espanhola) e pelos rigores da Inquisição. Os dois poderes medem forças e no meio uma história de amor entre a mulher (francesa) do rei espanhol e o filho deste. Nao será das melhores óperas de Verdi, nem das mais económicas, mas tem momentos excelentes que fazem justiça ao génio de Verdi. Bertrand de Billy dirigiu a orquestra da ROH e os intérpretes foram Bryan Hymel (Don Carlos), Kristin Lewis (Elizabeth de Valois) e Christoph Pohl (Rodrigo). Londres, Covent Garden 4/5

Expo: Queer British Art 1861-1967 (Tate Britain, 2017)

Sappho and Erinna in a Garden at Mytilene (Simeon Solomon, 1864)
Uma excelente exposição de interesse mais histórico do que artístico. Durante o período a que se refere a exposição, o amor homossexual podia levar dois homens para a cadeia, e ser alvo de descriminação para duas mulheres amantes. No entanto, abundam nesse mesmo período obras que discutem a norma heterossexual da época e também muitos artistas que não vivem a sua vida afetiva e sexual segundo essa norma. Nesse sentido a exposição da Tate Britain não deixa dúvidas quanto à existência dessas obras e vivencias revolucionárias. Muitos dos artistas eram para mim desconhecidos, alias bastantes obras apresentadas nao são marcantes. No entanto, são obras com uma importância social e cultural indesmentíveis, que refletiram destinos individuais que abriram novas perspetivas para o futuro. Excelente. Londres, Tate Britain 5/5

Teatro: Love in Idleness (Rattigan, 1944)

Em 1944 Terence Rattigan reescreve a sua própria peça Less Than Kind, que recebe o novo título Love in Idleness. Trevor Nunn, em 2017 teve a excelente ideia de basear-se nas duas versões para conceber e dirigir um espetáculo perfeito. Uma mulher tem de escolher entre ficar com o filho adolescente ou ficar com o amante, que o filho rejeita por razões políticas mas também sentimentais. Entre drama e comédia (mas esta domina) o espetáculo de Nunn encontra os atores perfeitos: Eve Best,  Anthony Head e Edward Bluemel. Londres, Apollo Theatre 4,5/5

Teatro: L'hôtel du libre échange (Feydeau, 1894)

Nada como assistir a uma peça de Feydeau para passar uma noite divertida. L'hôtel du libre échange (1894), escrita por Feydeau com Maurice Desvallières, repisa o tema do adultério, um dos mais frequentes das comédias de boulevard. Vários casais pouco legítimos se encontram por uma noite no hôtel du libre échange... Um espetáculo (de Isabelle Nanty) a rever. Paris 4/5

Concerto: Homenagem a Debussy (TCE, 2017)

Debussy
Sonate n° 1 pour violoncelle et piano
Sonate n° 2 pour flûte, alto et harpe, Syrinx
Sonate n° 3 pour violon et piano
Prélude à l’après-midi d’un faune 

Fauré 
Elégie opus 24 pour violoncelle et piano

Williencourt
Sonate pour violon et piano op. 20 « L’Attente » 
Trio pour flûte, violoncelle et harpe opus 29 «Les Êtres-là» 

Naoumoff  
Elégie pour violoncelle et piano

Documentário: Cinéma Mon Amour (Roménia, 2015)

Cinéma Mon Amour é um documentário de Alexandre Belc sobre as salas de cinema na Roménia, em especial sobre um exibidor que dedicou toda a sua vida à divulgação do cinema na sala Dacia. Paris 2/5

Concerto: Ravel & Schonberg por Christian Thielemann (TCE, 2017)

I
Maurice Ravel: Concerto pour piano en sol majeur (1932)
Daniil Trifonov (piano) 
II
Arnold Schonberg: Pelleas und Melisande (1905)

Christian Thielemann & Staatskapelle Dresden
Théâtre des Champs-Elysées, maio de 2017

Village of the Damned (John Carpenter, 1995)

Carpenter consegue fazer um remake muito fiel do clássico de Wolf Rilla, e ao mesmo tempo mostra personalidade. Não é dos melhores de Carpenter, mas revendo-o confirmei tanto os limites como as qualidades que lhe tinha encontrado quando estreou há cerca de 20 anos. Paris 3,5/5

A Aldeia dos Malditos (Wolf Rilla, 1960)

Um grande clássico da ficção científica que vi há cerca de 20 anos (na altura do remake de Carpenter) e que nunca mais esqueci. Uma pequena povoação rural adormece completamente durante umas horas. Meses depois, as mulheres em idade de procriar dão à luz crianças diferentes de todas as outras... Paris 4/5

Concerto: Richard Strauss por Renée Fleming (TCE, 2017)

Théâtre des Champs-Elysées 19/05/2017
I
Richard Strauss: Vier letzte Lieder
Renée Fleming com Christian Thielemann & Staatskapelle Dresden
II
Richard Strauss: Eine Alpensinfonie
Christian Thielemann & Staatskapelle Dresden