The Mummy (Alex Kurtzman, 2017)

A múmia amaldiçoada de uma princesa egípcia é encontrada e ressuscitada por um salteador de tesouros arqueológicos (Tom Cruise), que vai ser a vítima escolhida da maldição da múmia. O filme é muito interessante na primeira hora, quando estamos a descobrir a história em toda a sua complexidade, mas quando a ação acelera perdi o interesse pela conclusão, mais ou menos prevísivel. PV Garrett 2/5

Leitura: Quem Tem Medo de Besteirol? (2004)

Nunca ouvira falar do Besteirol até encontrar este livro. E agora considero-me perfeitamente iniciado. Besteirol é um género teatral carioca dos anos 80, que revelou e consagrou grandes intérpretes e dramaturgos. Um género teatral cómico constituído por sketches com poucas personagens (muitas vezes, apenas duas), que nada levam a sério, a começar pelas referências culturais que convocam para logo gozar com elas. Os espetáculos de besteirol foram apresentados muitas vezes nos teatros da zona sul do Rio, onde vivia o seu público mais natural; em alguns casos, o sucesso foi fenomenal e deve ter atingido todas as classes sociais. Infelizmente, nunca vi nenhum besteirol e não parece que haja gravações video dos seus clássicos; nem é um teatro que se preste a reposições, apesar da qualidade de muitos dos textos escritos no seu âmbito. Leitura na viagem Rio/Paris 4/5

Leitura: Persuasion (Jane Austen, 1818)

Jane Austen foi uma pioneira das telenovelas. Persuasão narra o amor de Anne Elliot, da pequena nobreza rural, pelo capitão Frederick, da Marinha e de fortuna recente adquirida na atividade marítima. Mas a maior parte do romance, o último de Austen, trata das manobras familiares para casar os filhos evitando a descida social. O dinheiro e o estatuto social são a grande obsessão das várias famílias que se cruzam neste romance iluminado pelas duas almas gémeas que são Anne e Frederick. Primeira obra de Austen que leio. Praia das Caxinas 4/5

Leitura: Souls Belated (Edith Wharton,1899)

Souls Belated é um conto sobre um casal de amantes apanhados pelos preconceitos que regiam a sociedade aristocrática da viragem do século XIX/XX. Lydia acaba de receber a notícia (esperada) do seu divórcio, mas esse facto faz nascer uma crise na relação com o seu amante Gannett, que pretende no entanto desposá-la. Lydia desejava a liberdade conjugal mas dá-se conta agora que o passado de mulher casada torna o futuro angustiante. Este conto representa bem o tom e a temática da obra de Wharton, assim como a qualidade da sua escrita. VC 4/5

20.000 Years in Sing-Sing (Michael Curtiz, 1933)

Um filme de Michael Curtiz pouco conhecido com duas estrelas maiores: Spencer Tracy & Bette Davis. O filme passa-se quase todo na prisão de Sing-Sing, onde se encontra criminoso interpretado por Tracy. Um dia, o diretor da prisão liberta-o para que ele visite a sua namorada (Davis), que está a morrer. Cinémathèque 2013 & DVD Trésors de Warner 3,5/5

Documentário: Fresh Dressed (Sacha Jenkins, 2015)

O Hip-Hop contado através da moda que lançou e consagrou. Um daqueles fenómenos recentes (anos 90) que precisa, no entanto, de um certo recuo temporal para ser compreendido em toda a sua complexidade. Interessante. TV 3/5

Teatro: O Homem da Guitarra (Jon Fosse, 1997)

Pode um homem que vive da bondade dos estranhos, a tocar música na rua, encarnar a humanidade? Pode, claro que pode. Ele é o homem da guitarra, mas ele é também um homem comum, que exprime de forma por vezes desajeitada e imprecisa as suas dores. Vi este espetáculo, encenado e interpretado por Manuel Wiborg, no Teatro Carlos Alberto. Porto 3,5/5

Disco: His 'n' Hers (Pulp, 1994)

Para mim, é um dos álbuns mais excitantes da música pop. Conheço outros álbuns do mesmo calibre, mas nenhum o ultrapassa. As letras de Jarvis Cocker, a produção inventiva, as melodias e o canto selvagem de Cocker dão forma a canções únicas: "Lipgloss", "Do You Remember the First Time", "Babies", "Acrylic Afternoons", entre outras. VC 5/5

Disco: Jarvis (Jarvis Cocker, 2016)

Primeiro disco a solo do grande Jarvis. O songwriting (music & lyrics) é bom, mas a sonoridade mais para o rock do que para o pop dos Pulp não me conquista nem à primeira nem à segunda. VC 3,5/5

Threesome (Andrew Fleming, 1994)

Três jovens (Josh Charles, Lara Flynn Boyle, Stephen Baldwin), dois rapazes e uma rapariga, conhecem-se no dormitório da faculdade que têm partilhar. Um deles, Eddy, é sexualmente ambivalente (palavras suas) e esse facto vai inspirar uma relação entre os três amigos do género ménage à trois mais ou menos sexual. A história é autobiográfica e retoma situações que Andrew Fleming, autor do argumento (além de realizador), viveu na faculdade. Não sei se se trata de um filme de culto, mas não há dúvida de que Threesome lembra os college movies dos anos 80 (esses sim, têm um culto) mas é mais centrado na sexualidade e aborda a homossexualidade e a bissexualidade como poucos filmes tinham feito até então. O filme foi realizado para estrear em vídeo (VHS), mas acabou por ser distribuído nas salas. Vi-o agora em DVD, que tem um interessante comentário audio do realizador. VC 3/5